“2h30” é um trabalho que explora a saudade, a memória e a forma como certas pessoas permanecem presentes em nossa vida através das lembranças. Ambientado inteiramente em um estúdio, o filme utiliza uma abordagem intimista para retratar sentimentos que surgem a partir da convivência, dos hábitos compartilhados e dos momentos que continuam ocupando espaço na memória.
A proposta parte da inversão dos papéis tradicionais da performance musical. Enquanto o artista acompanha a execução da canção tocando sua guitarra, é a personagem feminina quem assume a interpretação da música. Com os fones de ouvido, ela canta como alguém que reconhece sua própria história naquelas palavras, transformando a composição em uma experiência pessoal e emocional.
Ao longo da performance, a música deixa de pertencer apenas ao artista e passa a ser compartilhada entre os dois. Os sentimentos expressos na letra ganham novos significados à medida que a personagem os incorpora, como se estivesse revisitando lembranças, afetos e ausências que fizeram parte de sua trajetória.
“2h30” fala sobre a presença que permanece mesmo quando alguém não está mais por perto. Sobre como os relacionamentos se manifestam nos pensamentos, nos costumes, nas vontades e nos pequenos detalhes do cotidiano. Através de uma atmosfera simples e sensível, o filme transforma a interpretação musical em um espaço de identificação, memória e afeto.